um dia diferente, simplesmente diferente, vem o sono e me seqüestra à um sonho distante... como se o sol me molhasse o rosto com o arco à pino, no esquadro de um traço fino... e a lua cega que se deitou, estava lá, sonâmbula importunava nômades estes passos, nas séquidas relvas deste planalto, passos meus... estrelas que se refletem no mormaço deste asfalto, perambulando sem porquê, refrata um espelho d'água minhas inversões, distorções, emoções... vento frio congela minhas canções, tão escuro que mascára as impressões... desfaleço eu, mas meu ego não levanta, tento ouvir, mas nenhuma sereia agora canta, nenhum querer que encanta, cadê amor, cadê você que tudo suplanta? nenhum sorriso, um abraço correndo o pé descalço, nem um talvez? não se pergunta nada do que se fez, bem que não se executa, só se anula e nada espera... nem grita nem se exaspera, pra que serve então? em terra de ninguém, vem cor rubra encharcar meu chão? só sei que danço e sujo meus pés, passo solo, vida ao revés, dançarino de mim... retalho suturado, pedaço costurado, vazado carmim... estou vivo, enfim? assim se resume quem sobrevive ao amor? me sobra orar ao meu favor... achar retrato onde me caiba esta cor, vermelha paixão que nasce alvorada de algum calor, onde talvez num mês de maio esteja calado este clamor, no dia que um “sim” me terá arrebatado, pois sei que perdido em tais braços ficará a certeza de ser eu o teu amado.
LEKO
sexta-feira, 20 de junho de 2008
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