terça-feira, 1 de julho de 2008

Pedras e desencontros...

Desencontro, palavra que conota tanto numa vida cheia de desaponto... quem sabe descrever a sensação de passar perto e não perceber? faz tanta falta um passo em falso, um tropeção que instigue um encontro, uma pedrinha na calçada, redentora da mesmice, daquela que instigue um empurrão, um toque que desanuvie essa imagem tão mítica, que rasgue esse véu de superficialidade, que forma vulto de uma pessoa que não existe, ou ainda não se apresentou devidamente, passa o tempo, tanto se fala e tão utópico se torna... quanto mais se vive, menos se conhece, andarilho em qualquer rua passo ao fim da esquina, alguém me reconhece? alguém me lembra ou ao menos me esquece? buscando desatento e nenhum olhar me enrubesce? tantos cantam, tantas músicas que replicam expectativas, são quadros e fotos que retratam, versos que encantam sonhos que se apregoam, e tantos para ressoar, apelidando desespero de esperança... nessas histórias de tampas e panelas, de chinelos, de metades de tantos paralelos, músicas e cartões, quão profundo de fato se vai? até que ponto é seguro se deixar envolver, conhecer, se enfraquecer e, por que não, se perder? ir profundo, mesclar-se e sentir um o todo e o todo em dois, ser envolto e sair fundido no calor daquele abraço, conhecer ao ponto de simplesmente se reconhecer e beijar teu espelho todos os dias, perder as forças, derrubar sofismas onde caem os muros das fortalezas e coroar rainha de mim e então sair perdido, andarilho no coração de alguém, terras de ninguém, simplesmente disposto à conquistar tal reino... não me sai da cabeça quão piegas isso parece, desencontro de conceitos que desmoronaram, coragem que desfalece, paciência que não se alimenta, olhos que se apagam de um olhar que não mais flerta... medos, receios, traumas, tão redundante quanto amar, palavras belas de um coração dilacerado, tantas máscaras e eu sempre sou alguém disposto à acreditar, aqui estão minhas pérolas e ali estão os porcos, valor que não deram não sei tampouco mensurar... pedras ou pérolas? não diferencio mais, preferiria uma pedra, aquela bendita pedra para me derrubar de mim, cair lento e de olhos fechados, ajudar à gravidade e ceder grave, me lançar para ver se ao menos assim eu encontro alguém que se incline para me levantar, sorria serena para num olhar me ter refém, no meio da rua quero escolher ficar deitado por saber que está tudo bem... é, acho que abro mão das pérolas pela pedra de alguém...

LEKO

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